piramides
03/09/2013
Eu perguntei a ele o que ele estava fazendo, mas eu não precisava que ele respondesse. Eu sabia exatamente o que ele estava fazendo. Já tinha visto seus amigos o fazerem. Já tinha escutado promessas, mentiras e desculpas. Estava cansada delas. Mas também não sabia se estava pronta para a verdade. Só que a verdade estava ali, dançando na minha frente, gigantesca, brilhante. Não podia tirar meus olhos dela. Não podia fazê-la desaparecer com uma mentira. Não havia nenhuma forma de mentir para mim mesma.
Se em algum momento eu desejei a verdade, a única coisa que eu queria agora é que ela sumisse para sempre. Não precisava dela, não a queria. Mas lá estava ele, esfregando-a na minha cara, sem nem ao menos dizer algo. Ele não tinha que dizer nada, não havia nada a ser dito.
Será que eu tinha pedido essa situação para mim mesma? Pois a sensação era de que tinha sido jogada nesse ninho de problemas que nunca procurei. Mas eles tinham me avisado. Todos eles: meus amigos, minha família, pessoas que realmente se importavam comigo. Eu tinha escolhido ignorar seus avisos, mas certamente não tinha escolhido ser jogada no mar turbulento. A única coisa que podia fazer agora era nadar contra a correnteza, mas nunca fui boa em nadar contra nada.
Também não era culpa dele. Mas a culpa tinha que ser de alguém. É o instinto mais primitivo e mais racional do ser humano. Culpar outros por tudo que acontece. Sempre reação, nunca a ação que começou com tudo. Se a culpa não era dele, e certamente não era minha... então era culpa de quem?
 
 
✝: Sedative | Babyshambles
 
 
piramides
27/09/2012
Eu sonho, e de quebra me decepciono, mas isso não me importuna mais. Tive mais de 20 anos convivendo na minha mente e seu emaranhado de esperanças e frustrações, tempo suficiente pra me acostumar a isso. Mas você, você não. Você vive meus sonhos com intensidade maior que a minha, e pisa no acelerador querendo logo chegar na linha de chegada, sem saber que meus dedos tendem sempre ao freio de mão. Você acredita nas minhas utopias e isso não me parece justo, pois mesmo que você descubra uma forma de chegar lá, eu vou estar olhando pro caminho tortuoso e me convencer de que não, não é possível. Já você e sua inocência transformariam o caminho mais tortuoso e cheio de espinhos em uma estrada coberta de pétalas de rosas. Que inveja que tenho da sua mente, que torna possível o impossível, e encontra atalhos em rotas desconhecidas. Enquanto eu moldo o possível de forma que se torne improvável, e tomo sempre a rota mais longa pra ter a desculpa de me perder. Você vai à frente, meu amor, você vai ao infinito, vai à lua e volta, e eu sou a âncora enferrujada, pesada, que não vai te deixar sair do lugar. Não é justo que eu seja uma gaiola enquanto tu és pássaro. Você pode até se acostumar com o cativeiro, mas tua alma é livre e sempre vai querer voar. Não vou tolir tua mente, cortar tuas velas, sabotar o teu destino. Se estou indo embora, é pra preservar tua inocência, tua ingenuidade, tudo que você tem de melhor. Então não chore meu amor, não sinta raiva, não lamente, apenas não tire o pé do acelerador e deixe as duas mãos no volante.

É só o que te peço, não deixar nunca que esse teu espírito do tamanho do mundo seja enjaulado. Não há jaula grande o suficiente pra ele. E se minha ausência te doer, saiba que quando chegar à lua, estará longe demais pra sentir saudades.
 
 
✝: Summertime Sadness | Lana del Rey
 
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